terça-feira, 8 de junho de 2021

A HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO E SUA IMPORTÂNCIA NA FORMAÇÃO DO PROFESSOR

 

Fonte: https://www.todoestudo.com.br/historia/escolas-jesuitas (2021)
Por Fernanda Mendes 


A História da Educação consiste em uma disciplina obrigatória nos cursos de pedagogia no Brasil. É interessante pontuar que os saberes envoltos nesta disciplina devem ser construídos de forma reflexiva e crítica, pois sabemos que a atual sociedade é um espelho do que foi vivenciado durante séculos de construção social.

A educação está presente em todas as sociedades e passa por diversas mudanças ao longo do tempo. A sociedade, de uma forma ou de outra, se educa – e a educação molda o homem e, a depender da finalidade dela na sociedade, pode ser utilizada como forma de dominação ou de libertação. (SOUZA, 2018)

No ano de 1549 os jesuítas chegaram ao Brasil na intenção de catequisar os índios e educar os nobres que aqui habitavam. Oficialmente, este é o início do ensino, conforme conhecemos, no nosso país. É bem verdade que antes disso a educação já se fazia entre os nativos, que passavam de geração a geração os conhecimentos sobre a caça, a pesca, o artesanato, a colheita, as lendas e tradições, o uso medicinal das ervas e muitos outros saberes. Mas o ensino sistematizado surgiu a partir da chegada da Companhia de Jesus, objetivando a expansão dos fiéis da Igreja Católica, que tanto temia a expansão do protestantismo no mundo.

Este tipo de educação não vinha com nenhuma intenção transformadora ou para formar indivíduos pensantes. Sua maior intenção era fortalecer os laços da população brasileira com a igreja, e assim garantir que em terras tupiniquins o movimento protestante não se criasse. A educação jesuíta se estendeu soberana no Brasil até o ano de 1759. Neste ano, o então Marquês de Pombal, visando diminuir o poder da Igreja Católica sobre o reino de Portugal, determinou a expulsão dos jesuítas do Brasil, dando início ao que conhecemos como Reforma Pombalina. Existem muitos pormenores nesta decisão e, estudando mais a fundo, compreendemos que a intenção era promover uma educação mais laica e estadista. No entanto, neste momento específico a educação não se fazia mais com um único professor, cada disciplina tinha seu próprio mestre, no que ficou conhecido como aulas régias. Os educadores eram então pessoas despreparadas para exercer a função de professor, o que levava a uma péssima qualidade educacional. Outro ponto que é importante destacar é a intensa fragmentação dos saberes, fator este que foi marcante até o século XX, sendo marca do ensino tradicional humanista.

Após a chegada da família real no Brasil tivemos muitos progressos, com grandes construções de escolas, teatros, museus, bibliotecas e um ensino um pouco mais organizado. Em 1823 o chamado Método Lancaster foi amplamente utilizado na educação brasileira. Esta metodologia consistia em um aluno (decurião) mais experiente auxiliar até dez alunos (decúria), o que ocasionava uma diminuição na quantidade de professores especializados.

Prosseguindo, durante a Primeira República no Brasil, o clima de desorganização se potencializou com as reformas educacionais que insurgiam em todos os lugares. Entre elas, podemos citar a Reforma Benjamin Constant, a Lei Orgânica Rivadávia Corrêa e a Carlos Maximiliano. A Reforma Rivadávia foi desastrosa na educação brasileira, pois desoficializou o ensino e desta forma qualquer instituição poderia emitir um diploma, sem nenhuma verificação de qualidade. Desta forma, já no século XX surgiu um movimento mundial que urgia por uma educação mais integral, que se interessasse pelo aluno e por suas peculiaridades: a Escola Nova. Como já mencionamos, este movimento surgiu após anos de educação tradicionalista, pautada no professor como figura detentora do saber e aluno como tábula rasa, preparando-o para reproduzir conceitos e saberes. Na Escola Nova o aluno era visto como um ser único, individual. A cerca disso, a médica e educadora italiana Maria Montessori dizia que as crianças eram vistas como mini adultos, por isso não se pensava em seus gostos ou necessidades específicas.

Quando a criança sentava-se nos móveis dos adultos, ou no chão, era repreendida; tornava-se necessário que alguém a pegasse no colo para que pudesse sentar. Eis a situação de uma criança que vive no ambiente dos adultos: um importuno, que procura algo para si e não encontra, que entra e logo é repudiado. (MONTESSORI, 1988, p. 8)

Com estas discussões que ocorriam ao redor do globo, muitos novos conceitos surgiram no âmbito educacional. Aqui no Brasil, entretanto, tivemos muitas lutas nos anos que se seguiram, pois poucos anos após o fim da Era Vargas, entramos em uma fase de Ditadura Militar, na qual a educação sofreu duras represarias com relação a livre expressão do ensinar. A metodologia mais usada era a tecnicista, objetivando cidadãos preparados para o mercado de trabalho, porém sem voz ativa para lutar por seus direitos dentro da sociedade. Centenas de pessoas foram caladas por meio da tortura ou exílio, e dentre estas podemos destacar Paulo Freire, que tanto lutava para uma educação libertadora em nosso país.

No ano de 1988, após a homologação da Constituição Federal e com o fim da Ditadura Militar, a educação passou a ser um assunto mais sério e respeitado no país. No artigo 205, lemos que:

A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. (grifo nosso)

Desta forma, percebemos que compreender este percurso que a educação trilhou no Brasil é extremamente importante para que o professor compreenda o caráter libertador que a educação pode oferecer. Portanto, este conhecimento proporciona ao professor a oportunidade de um fazer pedagógico crítico que impulsionará a formação integral de seus alunos em busca de um futuro mais justo e promissor.

 

REFERÊNCIAS

BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Senado Federal: Centro Gráfico, 1988.

MONTESSORI, Maria. A criança. 3ª ed. São Paulo: Círculo do Livro, 1988. 243p.

SOUZA, José Clécio Silva e. Educação e História da Educação no Brasil. Educação Pública. 27 nov. 2018. Disponível em: <https://educacaopublica.cecierj.edu.br/artigos/18/23/educao-e-histria-da-educao-no-brasil>. Acesso em: 07 jun. 2021.

2 comentários:

  1. Que trabalho lindo.
    Parabéns professora Fernanda🙏💕
    Onde está esse canal💋💋

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    1. Obgda pelo apoio! Nosso canal no YouTube é o Pedagogia Tira Dúvidas ❤️😉😘

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