Homologada em dezembro de 2017, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) vem lançar uma perspectiva educativa que rompe com a fragmentação do ensino e principalmente com visões conteudistas e verborrágicas da educação. Desta forma, a premissa da BNCC é levar a educação à construção de uma formação integral do aluno, o colocando no centro de seus processos educativos. O protagonismo do aluno é a maior preocupação do documento que estabelece o desenvolvimento de competências e habilidades como maior relevância do ensino brasileiro.
A BNCC traz em seu texto 10 Competências Gerais a serem trabalhadas em toda a Educação Básica, ou seja, na Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio. São elas: Conhecimento Pensamento científico, crítico e criativo, Repertório cultural, Comunicação, Cultura digital, Trabalho e Projeto de Vida, Argumentação, Autoconhecimento e autocuidado, Empatia e cooperação e Responsabilidade e cidadania. Aqui vamos nos ater ao item Projeto de Vida, nos debruçando sobre este trabalho no Ensino Médio.
De acordo com Santos e Gontijo (2020, p. 20)
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) do Ensino Médio de 2018 visa a construção de um currículo baseado na educação integral e com o desenvolvimento pleno do estudante. Entre as dez competências listadas no documento encontra-se o projeto de vida como um dos elementos para construção da formação integral. A BNCC como documento norteador dos currículos escolares busca, por meio dessa competência, reiterar o foco no estudante, no protagonismo discente e no seu projeto de vida.
Essa visão surgiu após muitos anos de uma educação pautada no tradicionalismo que tinha por foco os conteúdos, tornando o ensino algo estático e acrítico. Neste fazer pedagógico “não há criatividade, não há transformação, não há saber” (FREIRE, 2021, p. 81). Com isso, é notório que para a educação realmente trazer uma transformação na vida do sujeito, a escola e o professor devem oferecer formas de estimular as experiências dos alunos, auxiliando na criação de hipóteses pessoais sobre os conhecimentos e principalmente não engessando o conteúdo em uma visão estreita de mundo, exclusivamente escolar e individualista (ELIAS, 2008).
Para que a educação consiga transformar verdadeiramente o sujeito em um ser crítico, capaz de utilizar os saberes adquiridos na instituição escolar em sua vida prática, é necessário que o aluno seja o protagonista de suas aprendizagens. Vickery et al. (2016) afirmam que a aprendizagem ativa, ou seja, aquela que auxilia o aluno a desenvolver suas aprendizagens de pensamento, só acontece quando a sujeito se envolve no planejamento, na execução e na avaliação de suas aprendizagens. Desta forma, o Projeto de Vida vem auxiliar o aluno a “arquitetar, conceber e plasmar o que está por vir” (BRASIL, 2018a). A BNCC define que o Projeto de Vida venha
Valorizar a diversidade de saberes e vivências culturais e apropriar-se de conhecimentos e experiências que lhe possibilitem entender as relações próprias do mundo do trabalho e fazer escolhas alinhadas ao exercício da cidadania e ao seu projeto de vida, com liberdade e autonomia, consciência crítica e responsabilidade. (BNCC, 2018b, p. 05)
Assim, é importante que a escola auxilie o aluno a ter uma experiência a fim de refletir sobre seu Projeto de Vida, de forma individual, criando uma conexão entre passado, presente e futuro (GONÇALVES; BASQUEIRA, 2019). Percebe-se com isso que o Projeto de Vida deve ser construído para que o aluno caminhe entre o “quem eu sou” até o “quem eu quero ser”, por meio de um processo de autoconhecimento, planejamento e prática, identificando “seus potenciais, interesses e sonhos, definindo metas e estratégias para alcançar seus objetivos” (MACHADO, 2020). Com estas considerações, podemos definir que o Projeto de Vida atua para desenvolver competências específicas na formação do cidadão apto a conviver no século XXI de maneira autônoma, produtiva e solidária.
É extremamente relevante que haja uma compreensão do educador quanto ao Projeto de Vida durante o Ensino Médio. Isso pois, durante a adolescência muitos alunos se sentem confusos, desmotivados ou desorientados quanto ao seu presente e futuro. Neste contexto, é papel do professor atuar como um mediador entre o conhecimento, o aluno e suas construções cognitivas e sociais. Assim, é fundamental que a escola fomente o protagonismo juvenil em suas ações pedagógicas, pois este é o marco da educação ativa.
O papel do educador se reforça como um guia que abre portas para diversos cenários de amadurecimento e crescimento juvenil. Ou seja, o sucesso na prática de um projeto de protagonismo juvenil depende de estabelecer um novo tipo de relacionamento entre jovens e adultos, em que o adulto deixa de ser um transmissor de conhecimento para ser colaborador e parceiro do jovem em suas descobertas e nas ações comunitárias. O aluno deve ser visto como fonte de iniciativa, liberdade e compromisso. Por isso, é essencial estimular os jovens a tomarem a frente dos processos e, ao mesmo tempo, vivenciarem possibilidades de escolha e de responsabilidades. (INSTITUTO PURANÃ, 2019)
Para promover esse protagonismo juvenil, colocando o aluno como o protagonista de suas aprendizagens, as metodologias ativas surgiram como uma poderosa ferramenta educacional, sobre a qual percebemos diferentes formas de mediar o aluno a elaborar o seu Projeto de Vida. E neste aspecto, Moran (2017) afirma que podemos nos apoiar em metodologias ativas com apoio de Tecnologias de Informação. Ele também define que
O projeto de vida na escola faz parte da metodologia de projetos, de aprendizagem ativa de valores, competências para que cada estudante encontre relevância, sentido e propósito no seu processo de aprender, e o integre dentro das suas vivências, reflexões, consciência, visão de mundo. É formado por um conjunto de atividades didáticas intencionais que orientam o estudante a se conhecer melhor, descobrir seu potencial e dificuldades e também os caminhos mais promissores para seu desenvolvimento e realização integral. (2017)
O Projeto de Vida versa sobre a necessidade de o estudante compreender a relevância dos conteúdos estudados durante sua jornada acadêmica, e em seguida, ser capaz de esquematizar objetivos que sejam alcançados de acordo com o desenvolvimento das habilidades adquiridas.
Enfrentar os desafios diários da própria vida pode ser ainda mais difícil quando o jovem não sente que está preparado, e isso não deveria ocorrer pois é papel da escola preparar o indivíduo para a vida em sociedade. Desta maneira, o Projeto de Vida surge para que o aluno possa pensar, planejar e desenvolver, de forma crítica e reflexiva, metas relacionadas ao seu próprio futuro.
O Projeto de vida é um caminho importante para crianças e jovens encontrem – num clima de confiança, acolhimento e colaboração - relevância, sentido e propósito em tudo o que aprendem dentro e fora da Escola, como parte de um movimento amplo de transformação da Escola como um todo (currículo por competências, metodologias ativas, redesenho dos espaços, da avaliação, com forte inserção na cidade e também no mundo digital). (MORAN, 2019)
Assim, para que o aluno possa realmente obter uma formação crítica e integral, que o auxilie a desenvolver autonomia e engajamento na vida social e econômica do país, é preciso que observemos com diligência e cuidado a construção de seu Projeto de Vida.
REFERÊNCIAS
BRASIL, Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, 2018a.
BRASIL, Ministério da Educação. BNCC – IMPLEMENTAÇÃO. Projeto de vida: Ser ou existir? 2018b. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/implementacao/praticas/caderno-de- praticas/aprofundamentos/200-projeto-de-vida-ser-ou-existir. Acesso em: 02 ago. 2021.
ELIAS, Marisa del Cioppo. Célestin Freinet: uma pedagogia de atividade e cooperação. 8ª ed. Petrópolis: Vozes, 2008.
ENTENDA o que é protagonismo juvenil. INSTITUTO PURANÃ. 29 mai. 2019. Disponível em: http://www.institutopuruna.com.br/protagonismo-juvenil/. Acesso em: 02 ago. 2021.
FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. 77ª ed. Rio de Janeiro/ São Paulo: Paz e Terra, 2021. 256 p.
GONÇALVES, Márcia Cristina; BASQUEIRA, Ana Paula. Relações Interpessoais e Administração de Conflitos. Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2019. 168 p.
MACHADO, Gilber. Projeto de Vida na Escola: Como desenvolver, o que diz a BNCC, desafios e práticas na educação. BLOG KUAU. 2020. Disponível em: https://blog.kuau.com.br/projeto-de-vida/projeto-de-vida-na-escola/. Acesso em: 02 ago. 2021.
MORAN, José. A importância de construir Projetos de Vida na Educação. 2017. Disponível em: http://www2.eca.usp.br/moran/wp-content/uploads/2017/10/vida.pdf. Acesso em: 02 ago. 2021.
MORAN, José. Desafios na implementação do Projeto de Vida na Educação Básica e Superior. 24 jun. 2019. Disponível em: https://moran10.blogspot.com/2019/06/desafios-na-implementacao-do-projeto-de.html. Acesso em: 02 ago. 2021.
SANTOS, Kaliana Silva Santos; GONTIJO, Simone Braz Ferreira Gontijo. ENSINO MÉDIO E PROJETO DE VIDA: POSSIBILIDADES E DESAFIOS. Rev. Nova Paideia - Revista Interdisciplinar em Educação e Pesquisa. Brasília/DF, v. 2, n. 1. p. 19 – 34 – ANO 2020.
VICKERY, Anitra et al. Aprendizagem ativa nos anos iniciais do ensino fundamental. Tradução de Henrique de Oliveira Guerra. Porto Alegre: Penso, 2016. 252 p.
Parabéns!
ResponderExcluirTexto excelente!
Muito obrigada!
ExcluirTexto Maravilhoso ! Parabéns.
ResponderExcluirObrigada 😃
ExcluirProfessora a senhora e maravilhosa amo seus trabalhos
ResponderExcluirMuito obrigada pelo carinho! Deus abençoe muito sua vida :)
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